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O Desenvolvimento da Personalidade

Livro: O Desenvolvimento da Personalidade Página 2

Autor - Fonte: Carl Gustav Jung

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...te inverossímil dar-se o fato de um instinto, tão importante na psicologia humana, não começar a manifestar-se já na alma infantil, ainda que de forma rudimentar. Em contrapartida, acentuo neste trabalho que o pensar e a elaboração dos conceitos são de grande importância para a solução de conflitos psíquicos. O que segue deveria bastar para esclarecer de uma vez que o interesse sexual incipiente, em sua atuação causal, apenas muito impropriamente tende para um alvo sexual determinado; sua atuação causal se orienta muito mais para o desenvolvimento do pensar. Se assim não fosse, a solução do conflito seria conseguida unicamente pelo fornecimento de um alvo sexual, e não pela ajuda em modificar a concepção intelectual. Mas é justamente este último caso que se dá. Daí será lícito concluir, invertendo a ordem, que a sexualidade infantil não apresenta exatamente a mesma natureza que a sexualidade adulta. A sexualidade adulta jamais aceita uma elaboração de conceito como sucedâneo pleno e equivalente, mas reclama que lhe seja fornecido o alvo sexual real e adequado ao uso da função normal, de acordo com a exigência da natureza. É verdade que a experiência nos mostra que também a sexualidade infantil pode levar à prática sexual real, na forma de masturbação, caso os conflitos não sejam resolvidos. É por meio da formação de concepções intelectuais que a libido encontra o caminho livre e apto para o desenvolvimento, de modo que lhe este...
a assegurada sua atuação permanente. Quando o conflito atinge certa intensidade, a falta de formação da concepção intelectual passa a atuar como impedimento, repelindo de volta a libido para os rudimentos da sexualidade; é isto que constitui a causa de esses rudimentos ou germes serem desviados precocemente para um desenvolvimento anormal. Forma-se deste modo uma neurose infantil. Principalmente as crianças bem-dotadas, nas quais as exigências na ordem do pensar começam a desenvolver-se muito cedo devido a esses dotes intelectuais, correm perigo muito sério de descambar para a atividade sexual precoce, provocada pelas repressões pedagógicas de uma curiosidade tida como inconveniente. Como se deduz desta explanação, não considero a função intelectual como se fosse apenas uma função surgida da perplexidade frente à sexualidade, que, por se ver tolhida em sua atuação na forma de prazer, seja forçada pela necessidade a transformar-se em função intelectual. Meu ponto de vista é que, na verdade, a sexualidade infantil primordial já encerra em si tanto os rudimentos da atividade sexual futura como também constitui a matriz em que germinam as funções intelectuais superiores. Em abono disso, tem-se o fato de ser possível resolver os conflitos infantis por meio da formação das concepções intelectuais, como também o fato de que, mesmo na idade adulta, os remanescentes da sexualidade infantil constituem a matriz onde germinam importantes funções intelectuais. Mesmo aceitando que também a sexualidade adulta se desenvolve a partir desses germes polivalentes, não se pode concluir de modo algum que a sexualidade infantil primordial seja pura e simplesmente sexualidade. Por isso, impugno a exatidão do conceito freudiano de que a criança é, por natureza, um perverso polimorfo. Trata-se apenas de uma disposição natural polivalente. Se quiséssemos proceder segundo o modelo freudiano para a formação de conceitos, então deveríamos, em embriologia, designar a membrana exterior como cérebro, porque dela provém o cérebro, ao longo do processo de formação. Mas, além do cérebro, também se formam a partir dela os órgãos dos sentidos e outras coisas. Dezembro de 1915. C. G. Jung Prefácio da terceira edição Já se passaram quase trinta anos desde que este trabalho foi publicado pela primeira vez. Parece, todavia, que esta pequena obra nada perdeu de sua vida própria; continua mesmo a ser procurada sempre de novo pelo público. De certo ponto de vista, certamente, ela não se tornou antiquada, enquanto relata simplesmente o desenrolar de fatos, que podem repetir-se por toda a parte, de modo mais ou menos parecido. Esta obra chama ainda a atenção para algo muito importante, tanto na teoria como na prática; trata-se da tendência específica da fantasia infantil de ultrapassar seu próprio mundo real, substituindo pela interpretação "simbólica" o racionalismo das ciências naturais. Est...
telectuais. Mesmo aceitando que também a sexualidade adulta se desenvolve a partir desses germes polivalentes, não se pode concluir de modo algum que a sexualidade infantil primordial seja pura e simplesmente sexualidade. Por isso, impugno a exatidão do conceito freudiano de que a criança é, por natureza, um perverso polimorfo. Trata-se apenas de uma disposição natural polivalente. Se quiséssemos proceder segundo o modelo freudiano para a formação de conceitos, então deveríamos, em embriologia, designar a membrana exterior como cérebro, porque dela provém o cérebro, ao longo do processo de formação. Mas, além do cérebro, também se formam a partir dela os órgãos dos sentidos e outras coisas. Dezembro de 1915. C. G. Jung Prefácio da terceira edição Já se passaram quase trinta anos desde que este trabalho foi publicado pela primeira vez. Parece, todavia, que esta pequena obra nada perdeu de sua vida própria; continua mesmo a ser procurada sempre de novo pelo público. De certo ponto de vista, certamente, ela não se tornou antiquada, enquanto relata simplesmente o desenrolar de fatos, que podem repetir-se por toda a parte, de modo mais ou menos parecido. Esta obra chama ainda a atenção para algo muito importante, tanto na teoria como na prática; trata-se da tendência específica da fantasia infantil de ultrapassar seu próprio mundo real, substituindo pela interpretação "simbólica" o racionalismo das ciências naturais. Esta tendência constitui uma manifestação natural e espontânea que, exatamente por isso, não poderá ser reduzida a qualquer repressão. Procurei destacar este ponto no prefácio da segunda edição, e esta observação também nada perdeu de sua atualidade, visto que o mito da "sexualidade infantil polimorfa" ainda vem sendo aceito com muito ardor pela maioria dos especialistas. Dá-se ainda valor exagerado à teoria da repressão, mas, de outra parte, continuam subestimados, se não completamente ignorados, os fenômenos naturais da "transformação da alma". A estes fenômenos dediquei em 1912 um extenso trabalho, do qual não se pode afirmar, até o momento, que já tenha chegado ao conhecimento geral dos psicólogos. Faço votos de que esta modesta relação de fatos desperte a reflexão do leitor. No campo da psicologia podem as teorias ter efeitos extremamente devastadores. Precisamos, com certeza, de alguns pontos de vista teóricos, por causa de seu valor orientador e heurístico, mas devem ser sempre vistos como meros modelos auxiliares, que podem ser abandonados a qualquer momento. É tão pouco ainda o que conhecemos da alma, que se tornaria deveras ridículo acreditar que já estivéssemos em condições de podermos estabelecer teorias gerais. Ainda nem sequer conseguimos determinar o ambiente empírico da fenomenologia psíquica. Nestas circunstâncias, como seria possível sonhar com teorias gerais? A teoria representa, inegavelmente, o melhor escudo para pr...
a tendência constitui uma manifestação natural e espontânea que, exatamente por isso, não poderá ser reduzida a qualquer repressão. Procurei destacar este ponto no prefácio da segunda edição, e esta observação também nada perdeu de sua atualidade, visto que o mito da "sexualidade infantil polimorfa" ainda vem sendo aceito com muito ardor pela maioria dos especialistas. Dá-se ainda valor exagerado à teoria da repressão, mas, de outra parte, continuam subestimados, se não completamente ignorados, os fenômenos naturais da "transformação da alma". A estes fenômenos dediquei em 1912 um extenso trabalho, do qual não se pode afirmar, até o momento, que já tenha chegado ao conhecimento geral dos psicólogos. Faço votos de que esta modesta relação de fatos desperte a reflexão do leitor. No campo da psicologia podem as teorias ter efeitos extremamente devastadores. Precisamos, com certeza, de alguns pontos de vista teóricos, por causa de seu valor orientador e heurístico, mas devem ser sempre vistos como meros modelos auxiliares, que podem ser abandonados a qualquer momento. É tão pouco ainda o que conhecemos da alma, que se tornaria deveras ridículo acreditar que já estivéssemos em condições de podermos estabelecer teorias gerais. Ainda nem sequer conseguimos determinar o ambiente empírico da fenomenologia psíquica. Nestas circunstâncias, como seria possível sonhar com teorias gerais? A teoria representa, inegavelmente, o melhor escudo para pr...

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