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O Desenvolvimento da Personalidade

Livro: O Desenvolvimento da Personalidade Página 3

Autor - Fonte: Carl Gustav Jung

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...oteger a insuficiência experimental ou a ignorância. As conseqüências, porém, são lamentáveis: mesquinhez, superficialidade e sectarismo científico. Pretender rotular os germes polivalentes da criança com a terminologia tirada do estágio de desenvolvimento pleno da sexualidade, será, certamente, empreendimento muito duvidoso. Este proceder levará a estender a interpretação sexual a todas as outras disposições infantis; deste modo, o conceito de sexualidade se tornará demasiadamente inflado e nebuloso, enquanto que os fatores espirituais aparecerão apenas como meras deformações do instinto. Tais considerações conduzem a um racionalismo que se torna incapaz de lidar com a natureza polivalente das disposições infantis, ainda que apenas de maneira aproximada. O fato de a criança já se ocupar com questões que para o adulto têm indubitável tonalidade sexual nem de longe quer significar que a maneira pela qual a criança se ocupa disso também deva ser considerada como sexual. Em estudo prudente e consciencioso dos fenômenos infantis, o emprego da terminologia sexual, no máximo, pode ser tomado como um "modo peculiar de falar" (façon de parlcr). E se isto é oportuno, também é questionável. Assim, pois, permito que este escrito volte a ser publicado sem nenhuma alteração; apenas com pequenas correções. Dezembro de 1938. C. G. Jung Prefácio da quarta edição A leitura dos prefácios das edições anteriores permite concluir q...
e o presente escrito tem de ser considerado como um produto que não deve ser retirado nem da época nem das circunstâncias em que surgiu. Deve conservar a forma de uma experiência única, qual marco miliário ao longo da estrada percorrida pelos conhecimentos em seu lento amadurecer. As observações contidas neste escrito continuarão a despertar o interesse do educador; por isso é que foram incorporadas ao presente volume. Assim como não é permitido tirar do lugar os marcos que indicam as milhas ou os limites, do mesmo modo nada foi mudado nesta obra, desde sua primeira publicação há trinta e cinco anos. Junho de 1945 C. G. Jung Na mesma época em que FREUD publicou seus comunicados sobre "Joãozinho"1, recebi de certo pai, entendido em psicanálise, uma série de observações a respeito de sua filhinha de quatro anos. 1. Freud, Análise da fobia de um menino de cinco anos. Essas observações se pareciam em muitos pontos com os comunicados de Freud sobre "Joãozinho", e em outros até os complementavam. Senti-me, pois, quase que obrigado a tornar esse material acessível a um público maior. A incompreensão, para não dizer a indignação que o caso de "Joãozinho" provocou, foi para mim mais um motivo para publicar o material presente, que, sem dúvida, não se compara em extensão ao de "Joãozinho". Contudo aqui se encontram certas passagens que podem confirmar o quanto de típico trouxe "Joãozinho". A chamada crítica científica, na medida em que se dignou tomar conhecimento dessas coisas importantes, também dessa vez tornou a agir com precipitação, dando mostras de não ter aprendido ainda a examinar primeiro para depois julgar. A menina, que, por sua intuição e vivacidade intelectual, nos forneceu as observações seguintes, é uma criança sadia e bem disposta, de índole um tanto temperamental. Nunca esteve seriamente doente; também jamais foram notados nela quaisquer "sintomas" causados pelo sistema nervoso. Interesses sistemáticos mais vivos despertaram nessa criança por volta dos três anos: ela começou a fazer perguntas e a manifestar desejos fantasiosos. Os comunicados a seguir, lamentavelmente, carecem de uma apresentação concatenada, pois constam de pequenas narrações isoladas (Anekdoten), que descrevem uma vivência única, extraídas de todo um ciclo de coisas semelhantes; justamente por isso não permitem uma apresentação sistematizada cientificamente, mas apenas a forma novelesca. É um modo de apresentação que ainda não podemos condenar no estado atual de nossa psicologia, por estarmos ainda muito distante do ponto em que será possível distinguir com segurança infalível, em todos os casos, entre o típico e o bizarro. Certa vez, quando a menina, à qual daremos o nome de Aninha, contava cerca de três anos, desenrolou-se entre ela e a avó o diálogo seguinte: Aninha: "Vovó, por que teus olhos são tão murchos?" Avó: "Porque eu já sou velha". Aninha: "Mas ficar...
a em que se dignou tomar conhecimento dessas coisas importantes, também dessa vez tornou a agir com precipitação, dando mostras de não ter aprendido ainda a examinar primeiro para depois julgar. A menina, que, por sua intuição e vivacidade intelectual, nos forneceu as observações seguintes, é uma criança sadia e bem disposta, de índole um tanto temperamental. Nunca esteve seriamente doente; também jamais foram notados nela quaisquer "sintomas" causados pelo sistema nervoso. Interesses sistemáticos mais vivos despertaram nessa criança por volta dos três anos: ela começou a fazer perguntas e a manifestar desejos fantasiosos. Os comunicados a seguir, lamentavelmente, carecem de uma apresentação concatenada, pois constam de pequenas narrações isoladas (Anekdoten), que descrevem uma vivência única, extraídas de todo um ciclo de coisas semelhantes; justamente por isso não permitem uma apresentação sistematizada cientificamente, mas apenas a forma novelesca. É um modo de apresentação que ainda não podemos condenar no estado atual de nossa psicologia, por estarmos ainda muito distante do ponto em que será possível distinguir com segurança infalível, em todos os casos, entre o típico e o bizarro. Certa vez, quando a menina, à qual daremos o nome de Aninha, contava cerca de três anos, desenrolou-se entre ela e a avó o diálogo seguinte: Aninha: "Vovó, por que teus olhos são tão murchos?" Avó: "Porque eu já sou velha". Aninha: "Mas ficarás jovem de novo, não é?" Avó: "Não; bem sabes que vou ficar cada vez mais velha, e depois vou morrer". Aninha: "Está bem, e depois?" Avó: "Então eu me torno anjo." Aninha: "E depois disso, vais ser de novo uma criancinha pequenininha?" Neste diálogo a criança encontra uma ocasião oportuna para resolver provisoriamente um problema. Já há algum tempo vivia perguntando à mãe se algum dia ela não poderia ter também uma boneca viva, uma criancinha, talvez um irmãozinho; a isso seguiam-se normalmente as perguntas acerca da origem dos bebês. Como tais perguntas surgiam apenas de maneira espontânea, e sem despertar atenção, os pais não lhes davam grande importância, mas tão-somente as entendiam com a mesma despreocupação com a qual a criança parecia perguntar. Assim, certo dia, lhe deram a explicação jocosa de que os bebês eram trazidos pela cegonha. Aninha, entretanto, já escutara de qualquer modo outra versão um pouco mais séria, a de que as criancinhas são anjos e moram no céu, mas um dia a cegonha as traz cá para baixo. Parece que esta teoria se converteu no ponto de partida para a atividade pesquisadora da pequena. Na conversa com a avó já se mostra que esta teoria pode ter uma aplicação geral. Por meio dela se resolve de modo mais suave o pensamento aflitivo da morte, como também o enigma sobre a origem dos bebês. Aninha parece dizer a si mesma: Quando uma pessoa morre, ela se torna anjo, e depois se torna criancinha outra vez. S...
s jovem de novo, não é?" Avó: "Não; bem sabes que vou ficar cada vez mais velha, e depois vou morrer". Aninha: "Está bem, e depois?" Avó: "Então eu me torno anjo." Aninha: "E depois disso, vais ser de novo uma criancinha pequenininha?" Neste diálogo a criança encontra uma ocasião oportuna para resolver provisoriamente um problema. Já há algum tempo vivia perguntando à mãe se algum dia ela não poderia ter também uma boneca viva, uma criancinha, talvez um irmãozinho; a isso seguiam-se normalmente as perguntas acerca da origem dos bebês. Como tais perguntas surgiam apenas de maneira espontânea, e sem despertar atenção, os pais não lhes davam grande importância, mas tão-somente as entendiam com a mesma despreocupação com a qual a criança parecia perguntar. Assim, certo dia, lhe deram a explicação jocosa de que os bebês eram trazidos pela cegonha. Aninha, entretanto, já escutara de qualquer modo outra versão um pouco mais séria, a de que as criancinhas são anjos e moram no céu, mas um dia a cegonha as traz cá para baixo. Parece que esta teoria se converteu no ponto de partida para a atividade pesquisadora da pequena. Na conversa com a avó já se mostra que esta teoria pode ter uma aplicação geral. Por meio dela se resolve de modo mais suave o pensamento aflitivo da morte, como também o enigma sobre a origem dos bebês. Aninha parece dizer a si mesma: Quando uma pessoa morre, ela se torna anjo, e depois se torna criancinha outra vez. S...

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