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Os Desafios da Terapia

Livro: Os Desafios da Terapia

Autor - Fonte: Irvin D. Yalom

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...Está escuro. Venho ao seu consultório, mas não consigo encontrar você. O consultório está vazio. Entro e olho para todos os lados. A única coisa ali é o seu chapéu-panamá. E está todo coberto com teias de aranha. Irvin D. Yalom - Os Desafios da Terapia Os sonhos dos meus pacientes mudaram. As teias de aranha cobrem o meu chapéu. Meu consultório está escuro e deserto. Não posso ser encontrado em lugar nenhum. Meus pacientes se preocupam com a minha saúde: Estarei presente na longa trajetória da terapia? Quando saio de férias, eles ficam com medo de que eu nunca volte. Imaginam que estarão presentes ao meu funeral ou que visitarão meu túmulo. Meus pacientes não me deixam esquecer que eu envelheço. Mas estão apenas fazendo o seu trabalho: Não lhes pedi que revelassem todos os sentimentos, pensamentos e sonhos? Mesmos novos pacientes em potencial se juntam ao coro e, sem exceção, me cumprimentam com a pergunta: "O senhor ainda está aceitando pacientes?" Um dos nossos principais modos de negação da morte é uma crença no especialismo pessoal, uma convicção de que somos livres da necessidade biológica e de que a vida não lida conosco da mesma maneira severa com que lida com todas as outras pessoas. Lembro-me de ter consultado, há muitos anos, um optometrista por sentir a visão reduzida. Ele perguntou minha idade e depois reagiu: "Quarenta e oito, hein? Sim, senhor, está bem dentro do prazo!" É claro que eu sabia, conscientemente, que...
ele estava inteiramente certo, mas um grito brotou bem lá do fundo: "Que prazo? Quem é que está no prazo? É perfeitamente correto que você e os outros estejam no prazo, mas certamente não eu!" E, portanto, é desalentador perceber que estou entrando numa era de vida denominada tardia. Meus objetivos, interesses e ambições estão mudando de uma maneira previsível. Erik Erikson, no seu estudo do ciclo da vida, descreveu esse estágio tardio da vida como generatividade, uma era pós-narcísica em que a atenção se transfere da expansão de si próprio para os cuidados e preocupação pelas gerações subseqüentes. Pois bem, por já ter passado dos setenta, posso apreciar a clareza da visão de Erikson. Seu conceito de generatividade me parece correto. Quero passar adiante aquilo que aprendi. E o mais rapidamente possível. Mas oferecer orientação e inspiração para a próxima geração de psicoterapeutas é extremamente problemático, hoje, porque o nosso campo se encontra numa grande crise. Um sistema de assistência médica impulsionado pela economia exige uma modificação radical no tratamento psicológico, e a psicoterapia agora é obrigada a ser ágil — isto é, acima de tudo, econômica e, forçosamente, breve, superficial e inconsistente. Preocupa-me onde a próxima geração de psicoterapeutas eficazes receberá o treinamento. Não nos programas de residência em psiquiatria. A psiquiatria está prestes a abandonar o campo da psicoterapia. Jovens psiquiatras são forçados a se especializar em psicofarmacologia porque as empresas de assistência médica gerenciada atualmente reembolsam os gastos com psicoterapia somente se praticada por clínicos de baixa remuneração (em outras palavras, minimamente qualificados). Parece certo que a atual geração de clínicos psiquiatras, habilitados tanto na psicoterapia dinâmica quanto no tratamento farmacológico, é uma espécie em extinção. E quanto aos programas de treinamento em psicologia clínica — a escolha óbvia para preencher o vazio? Infelizmente, os psicólogos clínicos enfrentam as mesmas pressões de mercado e a maioria das escolas de psicologia que oferece programas de doutorado reage com o ensino de uma terapia orientada por sintomas, breve e, portanto, reembolsável. Portanto, preocupo-me com a psicoterapia — sobre como ela poderá ser deformada pelas pressões econômicas e empobrecida por programas de treinamento radicalmente abreviados. Ainda assim, sou otimista e espero que, no futuro, uma coorte de terapeutas oriundos de uma variedade de disciplinas educacionais (psicologia, aconselhamento, assistência social, aconselhamento pastoral, filosofia clínica) continue a se dedicar a um rigoroso treinamento em nível de pós-graduação e, mesmo sob a pressão da realidade das empresas de seguros e assistência médica, encontre pacientes desejosos de crescimento e mudança dispostos a assumir um compromisso aberto com a terapia. É para esses terapeutas...
uiatras são forçados a se especializar em psicofarmacologia porque as empresas de assistência médica gerenciada atualmente reembolsam os gastos com psicoterapia somente se praticada por clínicos de baixa remuneração (em outras palavras, minimamente qualificados). Parece certo que a atual geração de clínicos psiquiatras, habilitados tanto na psicoterapia dinâmica quanto no tratamento farmacológico, é uma espécie em extinção. E quanto aos programas de treinamento em psicologia clínica — a escolha óbvia para preencher o vazio? Infelizmente, os psicólogos clínicos enfrentam as mesmas pressões de mercado e a maioria das escolas de psicologia que oferece programas de doutorado reage com o ensino de uma terapia orientada por sintomas, breve e, portanto, reembolsável. Portanto, preocupo-me com a psicoterapia — sobre como ela poderá ser deformada pelas pressões econômicas e empobrecida por programas de treinamento radicalmente abreviados. Ainda assim, sou otimista e espero que, no futuro, uma coorte de terapeutas oriundos de uma variedade de disciplinas educacionais (psicologia, aconselhamento, assistência social, aconselhamento pastoral, filosofia clínica) continue a se dedicar a um rigoroso treinamento em nível de pós-graduação e, mesmo sob a pressão da realidade das empresas de seguros e assistência médica, encontre pacientes desejosos de crescimento e mudança dispostos a assumir um compromisso aberto com a terapia. É para esses terapeutas e esses pacientes que escrevo Os desafios da terapia. Ao longo destas páginas, advirto os estudantes contra o sectarismo e sugiro um pluralismo terapêutico no qual intervenções efetivas são extraídas de várias abordagens terapêuticas diferentes. Ainda assim, na maioria das vezes, eu trabalho com base em um referencial (sistema de referência) interpessoal e existencial. Portanto, a maior parte dos conselhos que se seguem deriva de uma ou outra destas duas perspectivas. Desde o momento em que entrei no campo da psiquiatria, tenho dois interesses permanentes: terapia de grupo e terapia existencial. São interesses paralelos, porém distintos: não pratico "terapia de grupo existencial" — de fato, não sei o que isso seria. Os dois modos são diferentes não apenas por causa do formato (isto é, um grupo de aproximadamente seis a nove membros contra um cenário a dois, com terapeuta e paciente frente a frente para a terapia existencial), mas pelo seu referencial fundamental. Ao atender pacientes em terapia de grupo, eu trabalho a partir de um referencial interpessoal e tomo como premissa que os pacientes entram em desespero por causa de sua incapacidade de desenvolver e sustentar relacionamentos interpessoais gratificantes. Entretanto, quando opero partindo de um referencial existencial, tomo como premissa algo bem diferente: os pacientes entram em desespero como resultado de uma confrontação com fatos cruéis da condição humana — os "dados conhecidos" da...
e esses pacientes que escrevo Os desafios da terapia. Ao longo destas páginas, advirto os estudantes contra o sectarismo e sugiro um pluralismo terapêutico no qual intervenções efetivas são extraídas de várias abordagens terapêuticas diferentes. Ainda assim, na maioria das vezes, eu trabalho com base em um referencial (sistema de referência) interpessoal e existencial. Portanto, a maior parte dos conselhos que se seguem deriva de uma ou outra destas duas perspectivas. Desde o momento em que entrei no campo da psiquiatria, tenho dois interesses permanentes: terapia de grupo e terapia existencial. São interesses paralelos, porém distintos: não pratico "terapia de grupo existencial" — de fato, não sei o que isso seria. Os dois modos são diferentes não apenas por causa do formato (isto é, um grupo de aproximadamente seis a nove membros contra um cenário a dois, com terapeuta e paciente frente a frente para a terapia existencial), mas pelo seu referencial fundamental. Ao atender pacientes em terapia de grupo, eu trabalho a partir de um referencial interpessoal e tomo como premissa que os pacientes entram em desespero por causa de sua incapacidade de desenvolver e sustentar relacionamentos interpessoais gratificantes. Entretanto, quando opero partindo de um referencial existencial, tomo como premissa algo bem diferente: os pacientes entram em desespero como resultado de uma confrontação com fatos cruéis da condição humana — os "dados conhecidos" da...

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