Whats: (11) 9 9191 6085

VÍDEO: POR QUE NOS PARECE QUE NADA DA CERTO

Você está em: Página inicial / Terapias / Os Desafios da Terapia Página 2
Os Desafios da Terapia

Livro: Os Desafios da Terapia Página 2

Autor - Fonte: Irvin D. Yalom

Ir para a página:
...existência. Já que muito do que é oferecido neste livro deriva de um referencial existencial desconhecido de muitos leitores, uma breve introdução é desejável. Definição de psicoterapia existencial: psicoterapia existencial é uma abordagem terapêutica dinâmica que se concentra nas questões enraizadas na existência. Para ampliar esta definição concisa, quero esclarecer a expressão "abordagem dinâmica". "Dinâmica" tem uma definição leiga e outra técnica. O significado leigo de "dinâmica" (derivada do radical grego dynasthai, ter poder ou força), que implica vigor ou vitalidade (a saber, dínamo, um atacante dinâmico de futebol americano ou um orador político dinâmico), obviamente não é relevante aqui. Porém, se fosse esse o significado aplicado à nossa profissão, onde estaria o terapeuta que se declararia ser outra coisa que não terapeuta dinâmico, em outras palavras, um terapeuta vagaroso ou inerte? Não, uso "dinâmico" em seu sentido técnico, que retém a idéia de força, mas tem sua raiz no modelo de funcionamento mental de Freud, que postula que forças em conflito no interior do indivíduo geram seu pensamento, sua emoção e seu comportamento. Além do mais — e este é um ponto crucial —, estas forças conflitantes existem em diversos níveis de percepção; de fato, algumas são inteiramente inconscientes. Portanto, a psicoterapia existencial é uma terapia dinâmica que, assim como as várias terapias psicanalíticas, pressu...
õe que as forças inconscientes influenciam o funcionamento consciente. Entretanto, ela se separa das várias ideologias psicanalíticas quando formulamos a seguinte pergunta: qual é a natureza das forças internas conflitantes? A abordagem da psicoterapia existencial postula que o conflito interno que nos atormenta brota não somente da nossa luta com os ímpetos instintivos reprimidos ou adultos significantes internalizados ou fragmentos de memórias traumáticas esquecidas, mas também de nosso confronto com os "dados conhecidos" da existência. E quais são esses "dados conhecidos" da existência? Se nos permitirmos examinar e selecionar — ou "categorizar" — os assuntos cotidianos da vida e refletir profundamente sobre nossa situação no mundo, chegaremos inevitavelmente às estruturas profundas da existência (as "ultimate concerns" — preocupações últimas ou supremas —, para usar o termo do teólogo Paul Tillich). Quatro preocupações últimas, em minha opinião, assumem grande destaque para a psicoterapia: morte, isolamento, significado na vida e liberdade. (Cada uma dessas preocupações será definida e discutida numa seção determinada.) Os estudantes freqüentemente me perguntam por que não defendo os programas de capacitação em psicoterapia existencial. O motivo é que nunca considerei a psicoterapia existencial uma escola ideológica autônoma, bem-definida. Em vez de tentar desenvolver currículos de psicoterapia existencial, prefiro suplementar o ensino de todos os terapeutas dinâmicos bem-qualificados e capacitados, aumentando sua sensibilidade às questões existenciais. Processo e conteúdo Que aparência tem na prática a terapia existencial? Para responder a essa pergunta, é necessário atentar tanto ao "conteúdo" quanto ao "processo", os dois principais aspectos do discurso terapêutico. "Conteúdo" é simplesmente o que se diz — as palavras faladas precisas, as questões substantivas abordadas. "Processo" se refere a uma dimensão inteiramente diferente e imensamente importante: o relacionamento interpessoal entre o paciente e o terapeuta. Quando perguntamos sobre o "processo" de uma interação, queremos dizer: o que as palavras (e também o comportamento não-verbal) nos dizem sobre a natureza das relações entre as partes que participam da interação? Se as minhas sessões terapêuticas fossem observadas, muitas vezes o espectador poderia procurar em vão por longas discussões explícitas sobre morte, liberdade, significado ou isolamento existencial. Tal conteúdo existencial pode se evidenciar somente para alguns (mas não para todos os) pacientes, em alguns (mas não em todos os) estágios da terapia. De fato, o terapeuta eficiente nunca deveria tentar forçar uma discussão em nenhum terreno de conteúdo: a terapia não deve ser impulsionada pela teoria, mas sim pelo relacionamento. Mas se essas mesmas sessões forem observadas com o intuito de se identificar algum processo caract...
ntar o ensino de todos os terapeutas dinâmicos bem-qualificados e capacitados, aumentando sua sensibilidade às questões existenciais. Processo e conteúdo Que aparência tem na prática a terapia existencial? Para responder a essa pergunta, é necessário atentar tanto ao "conteúdo" quanto ao "processo", os dois principais aspectos do discurso terapêutico. "Conteúdo" é simplesmente o que se diz — as palavras faladas precisas, as questões substantivas abordadas. "Processo" se refere a uma dimensão inteiramente diferente e imensamente importante: o relacionamento interpessoal entre o paciente e o terapeuta. Quando perguntamos sobre o "processo" de uma interação, queremos dizer: o que as palavras (e também o comportamento não-verbal) nos dizem sobre a natureza das relações entre as partes que participam da interação? Se as minhas sessões terapêuticas fossem observadas, muitas vezes o espectador poderia procurar em vão por longas discussões explícitas sobre morte, liberdade, significado ou isolamento existencial. Tal conteúdo existencial pode se evidenciar somente para alguns (mas não para todos os) pacientes, em alguns (mas não em todos os) estágios da terapia. De fato, o terapeuta eficiente nunca deveria tentar forçar uma discussão em nenhum terreno de conteúdo: a terapia não deve ser impulsionada pela teoria, mas sim pelo relacionamento. Mas se essas mesmas sessões forem observadas com o intuito de se identificar algum processo característico derivado de uma orientação existencial, surgirá uma história inteiramente outra. Uma sensibilidade intensificada para as questões existenciais influencia profundamente a natureza do relacionamento entre terapeuta e paciente e afeta individualmente cada sessão terapêutica. Eu mesmo fico surpreso pela forma particular que este livro assumiu. Nunca imaginei que seria autor de um livro contendo uma seqüência de dicas para terapeutas. Contudo, retrospectivamente, sei quando foi o momento preciso em que tudo começou. Há dois anos, depois de ver os jardins japoneses de Huntington, em Pasadena, notei a exposição da Biblioteca Huntington sobre os livros do Renascimento mais vendidos na Grã-Bretanha e entrei para visitá-la. Três dos dez volumes em exposição eram livros de "dicas" enumeradas — sobre criação de animais, costura, jardinagem. O que chamou minha atenção foi que, mesmo naquela época, há centenas de anos, logo depois da introdução das prensas, as listas de dicas atraíam a atenção das multidões. Anos atrás, tratei uma escritora que, tendo perdido o vigor ao produzir dois romances consecutivos, resolveu nunca mais assumir o compromisso de escrever outro livro até que ela fosse mordida por uma idéia. Ri disfarçadamente com o comentário dela, mas realmente não compreendi o que ela queria dizer até aquele momento na Biblioteca Huntington, em que a idéia de um livro de dicas me capturou. Imediatamente, resolvi deixar de lado outr...
erístico derivado de uma orientação existencial, surgirá uma história inteiramente outra. Uma sensibilidade intensificada para as questões existenciais influencia profundamente a natureza do relacionamento entre terapeuta e paciente e afeta individualmente cada sessão terapêutica. Eu mesmo fico surpreso pela forma particular que este livro assumiu. Nunca imaginei que seria autor de um livro contendo uma seqüência de dicas para terapeutas. Contudo, retrospectivamente, sei quando foi o momento preciso em que tudo começou. Há dois anos, depois de ver os jardins japoneses de Huntington, em Pasadena, notei a exposição da Biblioteca Huntington sobre os livros do Renascimento mais vendidos na Grã-Bretanha e entrei para visitá-la. Três dos dez volumes em exposição eram livros de "dicas" enumeradas — sobre criação de animais, costura, jardinagem. O que chamou minha atenção foi que, mesmo naquela época, há centenas de anos, logo depois da introdução das prensas, as listas de dicas atraíam a atenção das multidões. Anos atrás, tratei uma escritora que, tendo perdido o vigor ao produzir dois romances consecutivos, resolveu nunca mais assumir o compromisso de escrever outro livro até que ela fosse mordida por uma idéia. Ri disfarçadamente com o comentário dela, mas realmente não compreendi o que ela queria dizer até aquele momento na Biblioteca Huntington, em que a idéia de um livro de dicas me capturou. Imediatamente, resolvi deixar de lado outr...

Ir para a página:

WhatsApp: (11) 9 9191 6085
Busca Google