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Para Além do Falo

Livro: Para Além do Falo Página 2

Autor - Fonte: Teresa Brennan

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...riamente, agradecimentos a Janice Price, da Routledge, por sua excelente assessoria e constante encorajamento ao longo do projeto; a Lisa Jardine, por me proporcionar o contexto institucional para realizá-lo; e a Susan James. Também estou agradecida a Anne Marie Goetz, e tenho uma imensa dívida com Kwok Wei Leng, pela permanente discussão teórica, pela assistência na preparação dos originais, pelas cuidadosas observações sobre as obras de Freud e por muito mais. TMB [pág. 8] Introdução Teresa Brennan Esta introdução e, até certo ponto, este livro, se preocupam com quatro questões estagnadas no pensamento psicanalítico, feminista, e com a maneira de ultrapassá-las. As questões são: o estatuto do "simbólico" lacaniano, a diferença e o conhecimento sexuais, a influência do essencialismo sobre a política feminista e a relação entre a realidade psíquica e o social. Se essa introdução tivesse uma tese, seria a de que a reflexão sobre essas questões atingiu nos últimos tempos um impasse, por terem sido ignorados seus contextos político ou psicanalítico. Ao mesmo tempo, resíduos dos contextos iniciais sobrevivem em clichês e frases feitas, que tornam ainda mais difícil repensar as questões. Ao traçar alguns dos antecedentes das questões, é possível ver onde a problemática política e a psicanalítica foram embaralhadas, na escritura feminista. Naturalmente, qualquer conceito de oposição entre psicanálise e política deve...
ser qualificado: a psicanálise é uma entidade inteiramente política. A questão aqui é de contexto e de ênfase. Se os processos psíquicos forem enfatizados, conforme o são no contexto de uma teoria lacaniana do simbólico, essa ênfase contextual necessita ser levada em consideração, antes que uma crítica política possa ser elaborada plenamente, antes que a política possa figurar num modo produtivo, levando em conta as questões psíquicas, em vez de fechar os olhos a elas. Com essas questões em vista, a primeira seção apresenta um breve sumário da teoria lacaniana do simbólico, algumas respostas feministas a ela e a questão afim da diferença sexual. Mas, embora as preocupações psíquicas específicas do simbólico possam ter sido atenuadas em uma parte dos textos feministas, as questões políticas podem ter sido mitigadas (e profundamente confundidas com as questões psíquicas) [pág. 9] nas críticas recentes ao essencialismo. Este e as respectivas asserções de realidade psíquica e social são discutidos no segundo segmento. Embora postulando a visão de que os contextos político e psicanalítico ficaram improdutivamente enredados, as duas primeiras seções são também expositivas, na intenção de fornecer alguns antecedentes às questões discutidas neste livro. A terceira seção é mais reflexiva. Ela reflete sobre a função psíquica das frases feitas, dos estereótipos e dos credos que contribuem para o pensamento estancado e estagnado, e que, uma após outra, se repetem nas análises feministas. Meu argumento é o de que tais estereótipos reconciliam identificações conflitivas com o feminismo, a psicanálise e o mundo acadêmico. Elas também oferecem garantias naquilo que Gayatri Spivak chama de "disputa pela legitimação, na casa da teoria", e alivia a ansiedade social do ego quanto à "expulsão da horda". Eu tinha a intenção de escrever um artigo separado sobre este tema. Mas, à medida que fui trabalhando simultaneamente no artigo e na introdução, eles se tornaram entrelaçados: o argumento do artigo baseou-se cada vez mais nas colaborações para esta coletânea. No final, transformei o artigo em um terceiro segmento da presente introdução. Caso a leitora assim prefira, poderá deixar de lado esta seção, sem que tal afete o sentido da introdução, e voltar-se para a descrição dos artigos nas páginas 27-36. Do simbólico à diferença sexual No que já foi uma abordagem eficaz, e agora se tornou um clichê exegético, o debate feminista é freqüentemente vazado em termos da diferença entre as perspectivas anglo-americana e francesa. O feminismo francês supostamente se baseia na insistência no fato de as mulheres serem diferentes, e serem um desafio para o pensamento falologocêntrico e as estruturas patriarcais da linguagem. Sua contrapartida anglo-americana se caracteriza pela insistência no fato de que as mulheres são iguais, e por sua preocupação com o mundo real....
o, e que, uma após outra, se repetem nas análises feministas. Meu argumento é o de que tais estereótipos reconciliam identificações conflitivas com o feminismo, a psicanálise e o mundo acadêmico. Elas também oferecem garantias naquilo que Gayatri Spivak chama de "disputa pela legitimação, na casa da teoria", e alivia a ansiedade social do ego quanto à "expulsão da horda". Eu tinha a intenção de escrever um artigo separado sobre este tema. Mas, à medida que fui trabalhando simultaneamente no artigo e na introdução, eles se tornaram entrelaçados: o argumento do artigo baseou-se cada vez mais nas colaborações para esta coletânea. No final, transformei o artigo em um terceiro segmento da presente introdução. Caso a leitora assim prefira, poderá deixar de lado esta seção, sem que tal afete o sentido da introdução, e voltar-se para a descrição dos artigos nas páginas 27-36. Do simbólico à diferença sexual No que já foi uma abordagem eficaz, e agora se tornou um clichê exegético, o debate feminista é freqüentemente vazado em termos da diferença entre as perspectivas anglo-americana e francesa. O feminismo francês supostamente se baseia na insistência no fato de as mulheres serem diferentes, e serem um desafio para o pensamento falologocêntrico e as estruturas patriarcais da linguagem. Sua contrapartida anglo-americana se caracteriza pela insistência no fato de que as mulheres são iguais, e por sua preocupação com o mundo real. No entanto, essa divisão é oclusiva. Ela esconde substanciais diferenças entre o "anglo" e o "americano", e também o francês, na questão do simbólico lacaniano. [pág. 10] Essas diferenças são suficientemente singelas, se refletirmos sobre as diferentes posições que emergiram, principal mas não exclusivamente, na Grã-Bretanha, por um lado, e na França e Estados Unidos, por outro, em torno de Lacan e sua leitura de Freud. Em termos muito gerais, uma delas, associada a feministas britânicas, e especialmente a Juliet MitchelI, tem defendido Lacan e Freud. A segunda, associada a obra de teóricas e psicanalistas francesas (Luce Irigaray principalmente, Hélène Cixous, e outras), tem tentado achar caminhos para contornar a dominância masculina, implicada na lei do "simbólico" de Lacan. Diante disto, o projeto granjeou mais simpatia nos Estados Unidos, onde tem se desdobrado criativamente, do que na Inglaterra. A questão é que o desafio a Lacan freqüentemente é lido como sendo, ou é reduzido a, um desafio às estruturas patriarcais e ao falologocentrismo, o que naturalmente, em parte, ele é. Mas a teoria de Lacan não contempla só a ordem patriarcal da língua. Ela cobre também a organização psíquica; é um argumento de que o simbólico é a condição da sanidade. Deveria ser evidente que este aspecto da teoria lacaniana também recebeu a atenção dos feminismos franceses da diferença, principalmente da parte de Luce Irigaray. Ademais, é soment...
No entanto, essa divisão é oclusiva. Ela esconde substanciais diferenças entre o "anglo" e o "americano", e também o francês, na questão do simbólico lacaniano. [pág. 10] Essas diferenças são suficientemente singelas, se refletirmos sobre as diferentes posições que emergiram, principal mas não exclusivamente, na Grã-Bretanha, por um lado, e na França e Estados Unidos, por outro, em torno de Lacan e sua leitura de Freud. Em termos muito gerais, uma delas, associada a feministas britânicas, e especialmente a Juliet MitchelI, tem defendido Lacan e Freud. A segunda, associada a obra de teóricas e psicanalistas francesas (Luce Irigaray principalmente, Hélène Cixous, e outras), tem tentado achar caminhos para contornar a dominância masculina, implicada na lei do "simbólico" de Lacan. Diante disto, o projeto granjeou mais simpatia nos Estados Unidos, onde tem se desdobrado criativamente, do que na Inglaterra. A questão é que o desafio a Lacan freqüentemente é lido como sendo, ou é reduzido a, um desafio às estruturas patriarcais e ao falologocentrismo, o que naturalmente, em parte, ele é. Mas a teoria de Lacan não contempla só a ordem patriarcal da língua. Ela cobre também a organização psíquica; é um argumento de que o simbólico é a condição da sanidade. Deveria ser evidente que este aspecto da teoria lacaniana também recebeu a atenção dos feminismos franceses da diferença, principalmente da parte de Luce Irigaray. Ademais, é soment...

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