Whats: (11) 9 9191 6085

VÍDEO: POR QUE NOS PARECE QUE NADA DA CERTO

Você está em: Página inicial / Terapias / Para Além do Falo Página 3
Para Além do Falo

Livro: Para Além do Falo Página 3

Autor - Fonte: Teresa Brennan

Ir para a página:
...e ao levar-se em conta esse aspecto da teoria lacaniana que adquire algum sentido a defesa dele feita pelo feminismo britânico. Para Mitchell o problema das tentativas de cortar por baixo o simbólico é que sem uma lei simbólica os seres humanos não podem funcionar. Sucintamente, e eu desdobrarei esta definição dentro de um momento, o simbólico coloca os seres humanos em relação uns com os outros e lhes dá um sentido do lugar que ocupam no mundo deles e a capacidade de falar e ser compreendidos pelos outros. O simbólico o faz possibilitando-lhes distinguirem-se uns dos outros, e pelo estabelecimento de uma relação com a língua. Fora da lei simbólica, o que há é a psicose. Mitchell, uma analista com prática clínica, compartilha essa visão com Julia Kristeva. Nesse particular, a visão de ambas deve muito pouco a filiações geográficas. Onde o aspecto territorial adquire alguma relevância é no fato de que Mitchell, e outras feministas britânicas, estão mais intimamente identificadas com uma defesa de Lacan, com um estilo crítico e expositivo que apóia o homem, do que com o ecletismo proposicional de algumas das [pág. 11] francesas, inclusive Kristeva. Para esta última, a teoria de Lacan conta para muitas coisas, mas não todas. Supondo verdadeiro que a psicose é a alternativa do simbólico, isso não necessita, em si mesmo, ser um obstáculo intransponível, desde que se possa conceber um simbólico que não seja patriarcal. O problema real ...
que o simbólico de Lacan faz com que o patriarcado pareça inevitável. Eu indicarei seu argumento nesse sentido. A natureza patriarcal do simbólico se apóia nas funções imbricadas do pai simbólico, que discutirei primeiro, e do notório falo. Lacan afirma que o pai simbólico intervém nos vínculos imaginários entre a mãe e a criança. Para Lacan o pai real importa infinitamente menos do que sua posição simbólica estrutural, como uma terceira parte interveniente. Na imaginação, a posição do pai é a mesma posição ocupada pela linguagem, no sentido em que a linguagem intervém na díade imaginária como as palavras simbólicas que rompem os fios da fantasia que mantêm a falta em xeque, e a ilusão de união, no lugar. Para tomar emprestado por um momento o vocabulário da psicanálise convencional, essa intervenção é fundamental para o processo de diferenciação psíquica, para o sujeito diferenciar-se de outros; e esta é uma razão pela qual a sanidade confia no simbólico. Como o processo de diferenciação seria afetado pela mudança do sexo de qualquer uma das terceiras partes intervenientes ou do cuidador primário, ou pela real posição social do pai, é outra questão; mas as mudanças reais em qualquer dos padrões de parentagem ou ainda na posição social de mulheres e homens devem ter conseqüências para o simbólico. Em suma, a natureza patriarcal do simbólico apóia-se, em parte, no encontro coincidente de dois "terceiros termos" intervenientes: a linguagem e a posição estrutural da terceira parte, geralmente ocupada por um homem. O homem ocupa essa posição num arranjo em que a mulher é a cuidadora primária dos filhos. Mas ele também ocupa essa posição num contexto social onde os homens são valorizados. Geralmente, os lacanianos insistem no fato de que o simbólico é patriarcal porque a mulher é a cuidadora primária, e o homem é a terceira parte interveniente, ocupando a posição que coincide com a linguagem. Se essa coincidência poderia ser desfeita, se ainda poderá existir um simbólico se ela for desfeita, é um caso a debater. Moustafa Safoun acredita que a separação seria catastrófica. [pág. 12] Ellie Ragland-Sullivan apresenta uma visão alternativa sutil, e, creio, convincente, de que a chave do problema patriarcal seria, na verdade, o fato de que os homens são socialmente valorizados. É, no mínimo, uma questão em aberto, quer seja o simbólico inerentemente patriarcal porque a mulher responde pelo cuidado primário dos filhos, quer em razão da intervenção coincidente de um pai socialmente privilegiado e da linguagem. Mas o simbólico patriarcal tem outra âncora, em forma de falo; ou, mais precisamente, numa ligação entre a diferença sexual e a dominância fálica. É este vínculo que parece o mais duro de romper. Trata-se de um vínculo que depende do visualmente significativo pênis. Embora os lacanianos jamais se cansem em insistir que o pênis e o falo não...
ervenientes: a linguagem e a posição estrutural da terceira parte, geralmente ocupada por um homem. O homem ocupa essa posição num arranjo em que a mulher é a cuidadora primária dos filhos. Mas ele também ocupa essa posição num contexto social onde os homens são valorizados. Geralmente, os lacanianos insistem no fato de que o simbólico é patriarcal porque a mulher é a cuidadora primária, e o homem é a terceira parte interveniente, ocupando a posição que coincide com a linguagem. Se essa coincidência poderia ser desfeita, se ainda poderá existir um simbólico se ela for desfeita, é um caso a debater. Moustafa Safoun acredita que a separação seria catastrófica. [pág. 12] Ellie Ragland-Sullivan apresenta uma visão alternativa sutil, e, creio, convincente, de que a chave do problema patriarcal seria, na verdade, o fato de que os homens são socialmente valorizados. É, no mínimo, uma questão em aberto, quer seja o simbólico inerentemente patriarcal porque a mulher responde pelo cuidado primário dos filhos, quer em razão da intervenção coincidente de um pai socialmente privilegiado e da linguagem. Mas o simbólico patriarcal tem outra âncora, em forma de falo; ou, mais precisamente, numa ligação entre a diferença sexual e a dominância fálica. É este vínculo que parece o mais duro de romper. Trata-se de um vínculo que depende do visualmente significativo pênis. Embora os lacanianos jamais se cansem em insistir que o pênis e o falo não são a mesma coisa, e eles estão certos, essa significância visual constitui, não obstante, o ponto para o qual convergem o pênis e o falo. Vamos considerar primeiramente o falo, e depois seu vínculo visual com o pênis. O falo é a marca da falta e, em geral, da diferença, e, em particular, da diferença sexual. Como a marca da falta, refere-se ao fato de que o sujeito não está completo em si mesmo. É aqui onde o pai simbólico e o falo se conectam; o primeiro rompe a ilusão da unidade, o segundo representa aquela ruptura. Como marca de diferença em geral, o falo está aliado ao logos, ao princípio de que o reconhecimento da diferença é a condição da lógica e igualmente da linguagem. Quer dizer, o pensamento, como tal, exige a diferença. Isso nos leva à asserção critica lacaniana de que a diferença sexual é a diferença crucial para que se possa falar e, portanto, pensar; e, mutatis mutandis, de que falar é crítico para a diferença sexual. O reconhecimento visual da diferença sexual é um canal que liga a experiência heterogênea do corpo sensível, sensorial, a algo alheio a ele: a estrutura diferencial da linguagem; em compensação, essa linguagem lhe permite nomear a diferença. E neste ponto que o argumento se desvirtua. Pelo fato de parecer mais visível, e porque pode representar a falta, o pênis ocupa o lugar do falo potencialmente neutro. Em outras palavras, num plano não-visual, o falo não deveria ser senão um sinalizador neutro:...
são a mesma coisa, e eles estão certos, essa significância visual constitui, não obstante, o ponto para o qual convergem o pênis e o falo. Vamos considerar primeiramente o falo, e depois seu vínculo visual com o pênis. O falo é a marca da falta e, em geral, da diferença, e, em particular, da diferença sexual. Como a marca da falta, refere-se ao fato de que o sujeito não está completo em si mesmo. É aqui onde o pai simbólico e o falo se conectam; o primeiro rompe a ilusão da unidade, o segundo representa aquela ruptura. Como marca de diferença em geral, o falo está aliado ao logos, ao princípio de que o reconhecimento da diferença é a condição da lógica e igualmente da linguagem. Quer dizer, o pensamento, como tal, exige a diferença. Isso nos leva à asserção critica lacaniana de que a diferença sexual é a diferença crucial para que se possa falar e, portanto, pensar; e, mutatis mutandis, de que falar é crítico para a diferença sexual. O reconhecimento visual da diferença sexual é um canal que liga a experiência heterogênea do corpo sensível, sensorial, a algo alheio a ele: a estrutura diferencial da linguagem; em compensação, essa linguagem lhe permite nomear a diferença. E neste ponto que o argumento se desvirtua. Pelo fato de parecer mais visível, e porque pode representar a falta, o pênis ocupa o lugar do falo potencialmente neutro. Em outras palavras, num plano não-visual, o falo não deveria ser senão um sinalizador neutro:...

Ir para a página:

WhatsApp: (11) 9 9191 6085
Busca Google