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Psicologia do Inconsciente

Livro: Psicologia do Inconsciente Página 3

Autor - Fonte: Carl Gustav Jung

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...geral — requerem pelo me-nos uma geração para se firmarem. As inovações em psicologia demandam, sem dúvida, mais tempo ainda, já que, sobretudo nessa área, cada um se considera, por assim dizer, autoridade no assunto. Küsnacht—Zürich, abril de 1942 O autor 4- Modificou-se o título para über die Psychologie des Unbewussten. Sumário I. A Psicanálise, 9 II. A Teoria do eros, 18 III, Outro ponto de vista: a vontade de poder, 28 IV. O problema dos tipos de atitude, 38 V. O inconsciente pessoal e o inconsciente suprapessoal ou coletivo, 58 VI. O método sintético ou construtivo, 72 VII. Os arquétipos do inconsciente coletivo, 81 VIII. A interpretação do inconsciente — noções gerais da terapia, 101 Palavras finais, 106 Apêndice: Novos caminhos da psicologia 1. Os primórdios da psicanálise, 107 2. A teoria sexual, 117 índice de autores e textos, 133 I A psicanálise É indispensável que o médico, o "especialista em doenças nervosas", aprofunde seus conhecimentos psicológicos, se quiser ajudar seus clientes, porque as perturbações nervosas (ou tudo que se designa por "nervosismo", histeria, etc.) são de origem psíquica e exigem, obviamente, um tratamento da alma. Água fria, luz, ar, eletricidade, etc, são de efeito passa¬geiro e muitas vezes não produzem nenhum efeito. O padecimento do doente vem da alma, de suas funções mais com¬plexas e profundas, que mal ousamos incluir no campo da medicina. Nesses c...
sos, o médico precisa ser psicólogo, isto é, um conhecedor da alma humana. Antigamente, ou seja, quase 50 anos atrás, a formação psicológica do médico ainda era das mais deficientes. Seu ma¬nual de psicologia limitava-se exclusivamente à descrição e à sistematização clínica das doenças psíquicas, e a psicologia en¬sinada nas faculdades era ou filosofia ou a chamada psicologia experimental, introduzida por Wilhelm Wundt.1 Da escola de Charcot, na Salpêtrière de Paris, vieram os primeiros estímu¬los para uma psicoterapia das neuroses: Pierre Janet2 iniciou suas pesquisas sobre a psicologia dos estados neuróticos, que fizeram época; Bernheim3 retomou com sucesso, em Nancy, a proposta de Liébault4 de tratar as neuroses pela sugestão, pro¬posta esta que já tinha caído no esquecimento. Sigmund Freud traduziu o livro de Bernheim, e isto foi para ele um estímulo decisivo. Naquela época, ainda não existia nenhuma psicologia das neuroses e psicoses. Cabe a Freud o mérito imorredouro de ter lançado as bases para uma psicologia das neuroses. Seu ensinamento resultou da experiência adquirida no tratamento prático das neuroses, isto é, da aplicação de um método, que ele chamou de psicanálise. 1. Grundzüge der physiologischen Psychologie, 5ª edição, 1902. 2. L’Automatisme psychologique, 1889; Névroses et idées fixes, 1898. 3. Hippotyte Bernheim, De Ia Suggestion et de ses Aplications à la Thérapeutique 1886 Edição alemã de S. Freud, Die Suggestion und ihre Heilwirkung, 1888. 4. A. A. Liébault. Du Sommeil et des états analogues consideres au point de vue de l’action du moral sur le physique, 1866. Antes de entrar numa exposição mais detalhada da matéria propriamente dita, é preciso dizer algo sobre a sua posição em relação à ciência da época. Presenciamos um espetáculo que confirma mais uma vez a observação de Anatole France: "Les savants ne sont pas curieux", os cientistas não são curiosos. O primeiro trabalho 5 de maior envergadura realizado nesse campo mal chegou a provocar um eco distante, apesar de ter introduzido uma interpretação totalmente nova das neuroses. Alguns autores faziam pronunciamentos elogios a respeito, mas, ao virar a página, prosseguiam em suas descrições de casos de histeria, à maneira habitual. Agiam, portanto, mais ou menos como alguém que reconhecesse e aprovasse a idéia ou o fato de que a terra é redonda, mas mesmo assim con¬tinuasse a representá-la tranqüilamente com a forma de um disco. As publicações seguintes de Freud passaram inteiramente despercebidas, apesar de conterem observações de suma im¬portância para a área específica da psiquiatria. Quando Freud escreveu a primeira verdadeira psicologia dos sonhos 6, em 1900 (anteriormente, trevas absolutas imperavam nesse campo), ridicularizaram-no. E quando, por volta de 1905, começou a lançar as primeiras luzes sobre a psicologia da sexualidade 7, puseram-se a vituperar. Essa te...
, Die Suggestion und ihre Heilwirkung, 1888. 4. A. A. Liébault. Du Sommeil et des états analogues consideres au point de vue de l’action du moral sur le physique, 1866. Antes de entrar numa exposição mais detalhada da matéria propriamente dita, é preciso dizer algo sobre a sua posição em relação à ciência da época. Presenciamos um espetáculo que confirma mais uma vez a observação de Anatole France: "Les savants ne sont pas curieux", os cientistas não são curiosos. O primeiro trabalho 5 de maior envergadura realizado nesse campo mal chegou a provocar um eco distante, apesar de ter introduzido uma interpretação totalmente nova das neuroses. Alguns autores faziam pronunciamentos elogios a respeito, mas, ao virar a página, prosseguiam em suas descrições de casos de histeria, à maneira habitual. Agiam, portanto, mais ou menos como alguém que reconhecesse e aprovasse a idéia ou o fato de que a terra é redonda, mas mesmo assim con¬tinuasse a representá-la tranqüilamente com a forma de um disco. As publicações seguintes de Freud passaram inteiramente despercebidas, apesar de conterem observações de suma im¬portância para a área específica da psiquiatria. Quando Freud escreveu a primeira verdadeira psicologia dos sonhos 6, em 1900 (anteriormente, trevas absolutas imperavam nesse campo), ridicularizaram-no. E quando, por volta de 1905, começou a lançar as primeiras luzes sobre a psicologia da sexualidade 7, puseram-se a vituperar. Essa tempestade de protestos eruditos pode ter sido a principal responsável pela publicidade sem precedentes alcançada pela psicologia de Freud, notoriedade esta que superou de longe os limites do interesse científico. 5. Breuer e Freud, Studien über Hysterie, 1895 6. Die Traumdeutung, 1900. 7. Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie, 1905. Por isso, temos que apreciar mais de perto essa nova psicologia. Já no tempo de Charcot, sabia-se que o sintoma neu¬rótico é "psicógeno", isto é, proveniente da alma. Sabia-se tam¬bém, graças principalmente aos trabalhos da Escola de Nancy, que qualquer sintoma histérico pode ser provocado pela su¬gestão. Conheciam-se, igualmente, através das pesquisas de Janet, as condições psicomecânicas dos surtos histéricos, como anestesias, paresias, paralisias e amnésias. Mas não se sabia como um sintoma histérico pode proceder da alma. As rela¬ções psíquicas causals eram totalmente desconhecidas. Em 1880, o Dr. Breuer, velho clínico vienense, fez uma descoberta que, na realidade, se tornou o começou da nova psicologia. Tinha uma jovem cliente, muito inteligente, que sofria de histeria, isto é, para sermos mais exatos, acusava, entre outros, os se¬guintes sintomas: uma paralisação espasmódica (hirta) afetara-lhe o braço direito; era acometida por repetidas "ausências" ou estados de sonolência; além disso, tinha perdido o domínio da linguagem, pois não sabia mais falar sua língua materna e não conseguia expressa...
mpestade de protestos eruditos pode ter sido a principal responsável pela publicidade sem precedentes alcançada pela psicologia de Freud, notoriedade esta que superou de longe os limites do interesse científico. 5. Breuer e Freud, Studien über Hysterie, 1895 6. Die Traumdeutung, 1900. 7. Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie, 1905. Por isso, temos que apreciar mais de perto essa nova psicologia. Já no tempo de Charcot, sabia-se que o sintoma neu¬rótico é "psicógeno", isto é, proveniente da alma. Sabia-se tam¬bém, graças principalmente aos trabalhos da Escola de Nancy, que qualquer sintoma histérico pode ser provocado pela su¬gestão. Conheciam-se, igualmente, através das pesquisas de Janet, as condições psicomecânicas dos surtos histéricos, como anestesias, paresias, paralisias e amnésias. Mas não se sabia como um sintoma histérico pode proceder da alma. As rela¬ções psíquicas causals eram totalmente desconhecidas. Em 1880, o Dr. Breuer, velho clínico vienense, fez uma descoberta que, na realidade, se tornou o começou da nova psicologia. Tinha uma jovem cliente, muito inteligente, que sofria de histeria, isto é, para sermos mais exatos, acusava, entre outros, os se¬guintes sintomas: uma paralisação espasmódica (hirta) afetara-lhe o braço direito; era acometida por repetidas "ausências" ou estados de sonolência; além disso, tinha perdido o domínio da linguagem, pois não sabia mais falar sua língua materna e não conseguia expressa...

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