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Guerreiro da Luz - Vol. 3

Livro: Guerreiro da Luz - Vol. 3

Autor - Fonte: Paulo Coelho
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... Paulo
Coelho
2008
2 Paulo Coelho’s website address is
www.paulocoelho.com
Paulo Coelho’s blog address is
www.paulocoelhoblog.com
Copyright © Paulo Coelho 2005
The right of Paulo Coelho to be identified as the moral rights author of this
work has been asserted by him in accordance with the Copyright Amendment
(Moral Rights) Act 2000 (Cth).
ISBN
Published by Lulu
3
Descobrindo o
verdadeiro medo
Um sultão decidiu fazer uma viagem de
navio com alguns de seus melhores cortesãos.
Embarcaram no porto de Dubai, e seguiram em
direção ao mar aberto.
Entretanto, assim que o navio se afastou da terra,
um dos súditos - que jamais tinha visto o mar, e
passara grande parte de sua vida nas montanhas
- começou a ter um ataque de pânico.
Sentado no porão do navio ele chorava,
gritava, e recusava-se a comer ou dormir. Todos
procuravam acalma-lo, dizendo que a viagem não
era tão perigosa assim mas embora as palavras
dos outros chegassem aos seus ouvidos, não
atigiam o seu coração. O sultão não sabia o que
fazer, e a linda viagem por mares calmos e céu
azul tornou-se um tormento para os passageiros
4 e a tripulação.
Dois dias se passaram sem que ninguém pudesse
dormir com os gritos do homem. O sultão já
estava prestes a mandar o barco de volta ao porto,
quando um de seus ministros, conhecido por ser
um homem sábio, aproximou-se:
- Sua Alteza, com sua permissão, eu conseguirei
acalma-lo.
Sem hesitar um momento, o sultão disse que

não apenas permitia, mas que o ministro
seria recompensado se conseguisse resolver o
problema.
O sábio então pediu que o homem fosse atirado
ao mar. Na mesma hora, contentes porque aquele
pesadelo estava prestes a terminar, um grupo de
tripulantes agarrou o homem que se debatia no
porão, e o atiraram no oceano.
O cortesão começou a se debater, afundou,
engoliu agua salgada, voltou a superfície, gritou
mais forte ainda, afundou de novo, e de novo
conseguiu voltar a tona. Neste momento, o
ministro pediu para que o alçassem de novo até
5
o barco.
A partir daquele momento, ninguém ouviu
mais qualquer reclamação do homem, que passou
o resto da viagem em silêncio, chegando mesmo
a comentar com um dos passageiros que nunca
tinha visto nada tão belo como o céu e o mar que
se juntavam no horizonte. A viagem - que antes
era um tormento para todos que se encontravam
no barco - transformou-se de novo em uma
experiência de harmonia e tranquilidade.
Pouco antes de retornarem ao porto, o Sultão
foi procurar o ministro:
- Como é que voce podia adivinhar que,
jogando aquele pobre homem no mar, ele ia ficar
mais calmo?
- Por causa do meu casamento - respondeu
o ministro. - Eu vivia apavorado com a idéia de
perder a minha mulher, e meu ciúme era tão
grande, que eu não parava de chorar e gritar como
este homem.
“Um dia ela não aguentou mais, foi embora - e
eu pude experimentar o terrível que seria a vida
6 sem ela. Só voltou depois que eu prometi que
jamais tornaria a atormenta-la com meus medos.
“Da mesma maneira, este homem jamais
havia provado água salgada, e jamais tinha se
dado conta da agonia de um homem prestes a
afogar-se. Depois que conheceu isso, entendeu
perfeitamente que maravilha é sentir as tábuas de
um navio debaixo de seus pés.
- Sábia atitude - comentou o sultão.
- Está escrito em um livro sagrado dos cristãos,
a Bíblia: “tudo aquilo que eu mais temia, terminou
me acontecendo.”
“Certas pessoas só conseguem valorizar o
que tem, quando experimentam a sensação da
perda.”
7
Duas histórias zen sobre
a busca da felicidade
A ordem natural
Um homem muito rico pediu a um mestre zen
um texto que o fizesse sempre lembrar o quanto
era feliz com a sua família.
O mestre zen pegou um pergaminho e, com
uma linda caligrafia, escreveu:
- O pai morre. O filho morre. O neto morre.
- Como? - disse, furioso, o homem rico. -
Eu lhe pedi alguma coisa que me inspirasse, ...

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