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A Hermenêutica da Teologia da Libertação

Livro: A Hermenêutica da Teologia da Libertação

Autor - Fonte: Augustus Nicodemus Lopes

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...: Uma Análise de Jesus Cristo Libertador, de Leonardo Boff Augustus Nicodemus Lopes* Com a queda do muro de Berlim, a fragmentação da Rússia e a derrocada do comunismo no mundo inteiro, as teologias que de alguma forma estavam associadas ao marxismo caíram em descrédito. A teologia da libertação, em suas variadas formas, não foi exceção. Embora ainda presente em alguns círculos acadêmicos e eclesiásticos, perdeu no Brasil boa parte da influência que dantes exercera, tanto na Igreja Católica quanto entre protestantes. O que justificaria, então, um artigo sobre a teologia da libertação? Ou mais ainda, um artigo que aborda um aspecto dessa teologia, no caso, a cristologia? É que os princípios hermenêuticos que produziram tal cristologia não desapareceram. Continuam presentes e reaparecendo sob diferentes formas. Meu assunto neste artigo, portanto, é muito mais a hermenêutica e os princípios interpretativos por detrás da teologia da libertação do que propriamente o Cristo libertador social que ela produziu. O ponto de partida não poderia ser outro senão a obra clássica de 1972, escrita por Leonardo Boff, Jesus Cristo Libertador.1 Boff foi sacerdote franciscano (atualmente está fora do sacerdócio católico), recebeu sua formação teológica no Brasil, sua terra natal, e em Munique, na Alemanha. Como professor de teologia em Petrópolis, ele escreveu diversos livros sobre teologia da libertação, muitos dos quais foram traduzidos...
ara o inglês e outros dos principais idiomas modernos. A sua influência no movimento latino-americano da teologia da libertação ficou evidente quando o Papa João Paulo II o penalizou em 1985 com um ano de silêncio por causa do seu livro Igreja, Carisma e Poder. Atualmente, tendo abandonado a batina, o ex-frei Boff continua escrevendo e publicando, embora tenha também abandonado a militância característica de muitos teólogos católicos da libertação. Da teologia da libertação, passou para a teologia da ecologia e ultimamente publica livros de auto-ajuda, embora ainda preserve vestígios da antiga preocupação social e da opção pelos pobres.2 O ex-frei saiu do cenário teológico mas os livros que publicou enquanto teólogo da libertação continuam sendo usados e estudados. Sua influência persiste em muitos quartéis da comunidade evangélica. Esse fato talvez justifique o presente artigo. Boff ganhou reconhecimento no cenário acadêmico, entre outras coisas, através de seu livro Jesus Cristo Libertador. Por que Boff escreveria uma cristologia da libertação? Primeiro, porque os teólogos da libertação não querem entender sua teologia simplesmente como um outro ramo ou divisão da teologia, mas como uma nova maneira de fazer teologia. Como Kloppenburg o exprime: "A idéia de libertação deveria estar presente em todos os pontos de todas as áreas da teologia e deveria ser um novo princípio de síntese."3 Portanto, os teólogos da libertação gostam de escrever cristologias, eclesiologias e até hermenêuticas da perspectiva da libertação sócio-política.4 Segundo, porque no início do movimento, Boff e outros teólogos da libertação entenderam que podiam sustentar a maioria das suas asseverações a partir da figura do Jesus histórico. Juntamente com o Êxodo e o ministério dos profetas do Antigo Testamento, a carreira terrena de Jesus é vista como fundamental para a base bíblica do movimento. Teólogos da libertação lêem o texto a partir das necessidades da sociedade contemporânea em que vivem. Uma leitura dessa perspectiva destaca os textos que tratam da libertação dos oprimidos. Um bom exemplo é a Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, editada pela Editora Vozes e produzida por estudiosos católicos da teologia da libertação. Segundo está na contracapa, a revista "parte do pressuposto que as dores, utopias e poesias dos pobres são uma mediação hermenêutica decisiva para a leitura da Bíblia em nossas terras." Alguns dos temas abordados pela revista são: "Mundo Negro e Leitura Bíblica" e "A Opção pelos Pobres como Critério de Interpretação," entre outros. Essa leitura das Escrituras, via de regra, denuncia as interpretações tradicionais como sendo uma cortina de fumaça para defender os interesses da classe média masculina, branca, saxônica e americana. A cristologia de Boff (uma cristologia escrita da perspectiva dos oprimidos, trazendo esperança de libertaç...
m de escrever cristologias, eclesiologias e até hermenêuticas da perspectiva da libertação sócio-política.4 Segundo, porque no início do movimento, Boff e outros teólogos da libertação entenderam que podiam sustentar a maioria das suas asseverações a partir da figura do Jesus histórico. Juntamente com o Êxodo e o ministério dos profetas do Antigo Testamento, a carreira terrena de Jesus é vista como fundamental para a base bíblica do movimento. Teólogos da libertação lêem o texto a partir das necessidades da sociedade contemporânea em que vivem. Uma leitura dessa perspectiva destaca os textos que tratam da libertação dos oprimidos. Um bom exemplo é a Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, editada pela Editora Vozes e produzida por estudiosos católicos da teologia da libertação. Segundo está na contracapa, a revista "parte do pressuposto que as dores, utopias e poesias dos pobres são uma mediação hermenêutica decisiva para a leitura da Bíblia em nossas terras." Alguns dos temas abordados pela revista são: "Mundo Negro e Leitura Bíblica" e "A Opção pelos Pobres como Critério de Interpretação," entre outros. Essa leitura das Escrituras, via de regra, denuncia as interpretações tradicionais como sendo uma cortina de fumaça para defender os interesses da classe média masculina, branca, saxônica e americana. A cristologia de Boff (uma cristologia escrita da perspectiva dos oprimidos, trazendo esperança de libertação) acompanha normalmente os principais postulados da teologia da libertação. O que torna notável o trabalho de Boff entre outras cristologias latino-americanas é, antes de tudo, o seu estilo fácil de ler e a sua linguagem teológica de "pé no chão." Além disso, Boff é mais positivo e otimista quanto à ressurreição de Cristo que outras cristologias da libertação.5 E, ao contrário de muitos dos seus colegas, ele por vezes critica o uso do marxismo como uma ferramenta de análise social. Os compromissos hermenêuticos de Boff são explicados e defendidos na primeira parte de Jesus Cristo Libertador. Ali, ele dedica-se a explicar suas convicções e os métodos de interpretação que usa. Existem, evidentemente, várias outras pressuposições que não são abordadas diretamente. A segunda parte da obra trata do Jesus histórico. A ênfase mais no histórico do que no dogmático é vital para a teologia de Boff. As ferramentas que ele usa para redescobrir Jesus são as disciplinas do método histórico-crítico, que também são discutidas na primeira parte. A reflexão de Boff sobre a pessoa de Jesus, que ele denomina o processo cristológico, entra na terceira parte. A última seção tenta relacionar os seus resultados com uma leitura sócio-analítica da sociedade latino-americana. O propósito deste artigo é entender as pressuposições hermenêuticas de Boff e como elas afetam a sua cristologia. Também objetiva analisar criticamente algumas dessas...
ão) acompanha normalmente os principais postulados da teologia da libertação. O que torna notável o trabalho de Boff entre outras cristologias latino-americanas é, antes de tudo, o seu estilo fácil de ler e a sua linguagem teológica de "pé no chão." Além disso, Boff é mais positivo e otimista quanto à ressurreição de Cristo que outras cristologias da libertação.5 E, ao contrário de muitos dos seus colegas, ele por vezes critica o uso do marxismo como uma ferramenta de análise social. Os compromissos hermenêuticos de Boff são explicados e defendidos na primeira parte de Jesus Cristo Libertador. Ali, ele dedica-se a explicar suas convicções e os métodos de interpretação que usa. Existem, evidentemente, várias outras pressuposições que não são abordadas diretamente. A segunda parte da obra trata do Jesus histórico. A ênfase mais no histórico do que no dogmático é vital para a teologia de Boff. As ferramentas que ele usa para redescobrir Jesus são as disciplinas do método histórico-crítico, que também são discutidas na primeira parte. A reflexão de Boff sobre a pessoa de Jesus, que ele denomina o processo cristológico, entra na terceira parte. A última seção tenta relacionar os seus resultados com uma leitura sócio-analítica da sociedade latino-americana. O propósito deste artigo é entender as pressuposições hermenêuticas de Boff e como elas afetam a sua cristologia. Também objetiva analisar criticamente algumas dessas...

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