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A Proclamação do Evangelho

Livro: A Proclamação do Evangelho

Autor - Fonte: Karl Barth

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...INTRODUÇÃO Um certo número de trabalhos meus não foram publicados ainda, mesmo em Alemão. Eles têm, contudo, chegado ocasionalmente ao conhecimento de círculos privados. Entre eles se encontra um curso que eu dei há algum tempo – o momento e o lugar não me ocorrem ao espírito – sobre este tema: o sermão e o modo de prepará-lo. Como se vê, eu me permiti fazer uma incursão no domínio da teologia prática. Se este trabalho cair em suas mãos, os mestres dessa disciplina deverão perdoar-me a liberdade que tomei, e julgar este trabalho com indulgência. No que concerne aos elementos dogmáticos, neste cursinho, deve-se recordar que na época em que ele foi dado, eu era ainda relativamente jovem. Depois eu envelheci e aumentei também, talvez, algo em sabedoria, pelo menos eu espero. De qualquer maneira, do ponto de vista dogmático, eu não tenho nada de importante a retomar; e, para o que é do texto apresentado neste caderno, eu não desejo absolutamente mudar nada. Por outro lado, quem conhece a bela e límpida tradução francesa que Fernando Ryser fez de minha "Dogmatique" se aperceberá imediatamente que eu digo ali as mesmas coisas que em outras ocasiões, fundamentando e formulando um pouco diferentemente. Aqui trata-se, antes de tudo, de algumas regras e sugestões de ordem prática que eu tenho, ainda hoje, como essenciais e dignas de serem meditadas, ou pelo menos de serem lidas com atenção, de serem discutidas. Eu não recuso a ninguém o dir...
ito de criticar. Pode ser interessante para um jovem teólogo comparar algumas de minhas pregações, por exemplo, as da série "Liberdade para os cativos" ou simplesmente os três planos que apresento neste caderno – com os princípios desenvolvidos aqui – e ver em que medida eu permaneci fiel. Karl Barth Basiléia, maio de 1961. I – DEFINIÇÕES FUNDAMENTAIS DA PREGAÇÃO Este assunto é o desenvolvimento das duas definições seguintes: 1. A pregação é a Palavra de Deus pronunciada por Ele mesmo. Deus utiliza como lhe apraz o serviço de um homem que fala em Seu Nome a seus contemporâneos, por meio de um texto bíblico. Este homem obedece assim a vocação que recebeu na Igreja e, por este ministério, à Igreja se conforma a sua missão. 2. A pregação resulta da ordem dada à Igreja de servir a Palavra de Deus, por meio de um homem chamado para esta tarefa. Trata-se para este homem de anunciar a seus contemporâneos o que ele tem a entender do próprio Deus, explicando, em um discurso em que o pregador exprime livremente, um texto bíblico que lhes concerne pessoalmente. Por que estas duas preposições? Porque o ato da pregação apresenta um duplo aspecto: Palavra de Deus e palavra humana. Se nós desejamos definir teologicamente o que se passa quando o homem prega, nós não podemos fazer outra coisa senão dar indicações, colocar pontos de reparo. Para além da reflexão humana, somos enviados a Deus que diz a primeira e última palavra. Deus não pode ser encerrado em qualquer conceito: Ele vive e age em Sua autoridade soberana. O teólogo deve percorrer dois caminhos: o do pensamento ascendente e o do descendente. Assim fazendo, ele não pode realizar sua missão de anunciados da Palavra de Deus senão de uma maneira fragmentária e imperfeita. Mas se ele executa corretamente esta tarefa, ele está seguro de fazer o que tem a fazer, e o que deve fazer. Seu discurso é livre, pessoal. Não é nem uma leitura nem uma exegese. Ele diz a Palavra que ele entendeu no texto da Escritura tal como ele a recebeu para si mesmo. Sua missão, como pregador, é semelhante – de algum modo – à dos apóstolos. Ele também tem – num outro plano – uma função profética. A tentativa de servir a Palavra de Deus, de a anunciar, é ordenada à Igreja. O termo que convém aqui para explicar a situação é Ankündigung (anúncio de um acontecimento por se realizar), mais que Verkündigung (anúncio do que é). Deus vai fazer-se entender; é Ele que fala, não o homem. Este último vai somente anunciar (Ankündigen) que Deus vai dizer alguma coisa. Nesta palavra Ankündigung não está incluída, contudo, a idéia de apelo a uma decisão da parte daquele que escuta. Esta decisão, que tem lugar unicamente entre o homem e Deus, não é um elemento constitutivo da pregação. Isso não exclui de maneira alguma a possibilidade para a pregação, de ser um apelo. De fato, para dizer as coisas exatamente, ela é um apelo en...
us não pode ser encerrado em qualquer conceito: Ele vive e age em Sua autoridade soberana. O teólogo deve percorrer dois caminhos: o do pensamento ascendente e o do descendente. Assim fazendo, ele não pode realizar sua missão de anunciados da Palavra de Deus senão de uma maneira fragmentária e imperfeita. Mas se ele executa corretamente esta tarefa, ele está seguro de fazer o que tem a fazer, e o que deve fazer. Seu discurso é livre, pessoal. Não é nem uma leitura nem uma exegese. Ele diz a Palavra que ele entendeu no texto da Escritura tal como ele a recebeu para si mesmo. Sua missão, como pregador, é semelhante – de algum modo – à dos apóstolos. Ele também tem – num outro plano – uma função profética. A tentativa de servir a Palavra de Deus, de a anunciar, é ordenada à Igreja. O termo que convém aqui para explicar a situação é Ankündigung (anúncio de um acontecimento por se realizar), mais que Verkündigung (anúncio do que é). Deus vai fazer-se entender; é Ele que fala, não o homem. Este último vai somente anunciar (Ankündigen) que Deus vai dizer alguma coisa. Nesta palavra Ankündigung não está incluída, contudo, a idéia de apelo a uma decisão da parte daquele que escuta. Esta decisão, que tem lugar unicamente entre o homem e Deus, não é um elemento constitutivo da pregação. Isso não exclui de maneira alguma a possibilidade para a pregação, de ser um apelo. De fato, para dizer as coisas exatamente, ela é um apelo endereçado à Igreja dos fiéis. Mas a decisão depende da graça divina – o melhor desse mistério que é a relação do face-a-face, homem-Deus. O pregador deve saber que esta decisão não depende dele. Acrescentemos que o conceito de pregação não poderia encontrar um fundamento qualquer na experiência. É um conceito teológico, repousando sobre a fé somente. Já afirmamos; não há senão um sentimento: indicar a verdade divina. Não se pode deixar de ir além do seu caráter de conceito para tomar uma forma tangível. II – CARACTERES ESSENCIAIS DA PREGAÇÃO A pregação deve ser conforme a Revelação Vejamos, em primeiro lugar, o aspecto negativo desta afirmação. Isto significa: o papel do pregador não consiste em revelar Deus ou Lhe servir de mediador. O evento da pregação é o Deus loquitur; não é então questão, para nós, de revelar o que quer que seja, nem de uma revelação que passaria por nós, através de nós. Devemos, e todas as circunstâncias, respeitar o fato de que o próprio Deus se revelou (epifania), e que Ele se revelará (parousia). Tudo o que se passa na pregação – que se situa entre a primeira e a segunda vinda – é a ação do próprio sujeito divino. A revelação é um círculo fechado em que Deus é o sujeito, o objeto e o termo médio. Resultam então como conseqüências práticas: a) A pregação não pode pretender a transmissão da verdade de Deus. Ela não pode ter por finalidade provar Deus por uma demo...
dereçado à Igreja dos fiéis. Mas a decisão depende da graça divina – o melhor desse mistério que é a relação do face-a-face, homem-Deus. O pregador deve saber que esta decisão não depende dele. Acrescentemos que o conceito de pregação não poderia encontrar um fundamento qualquer na experiência. É um conceito teológico, repousando sobre a fé somente. Já afirmamos; não há senão um sentimento: indicar a verdade divina. Não se pode deixar de ir além do seu caráter de conceito para tomar uma forma tangível. II – CARACTERES ESSENCIAIS DA PREGAÇÃO A pregação deve ser conforme a Revelação Vejamos, em primeiro lugar, o aspecto negativo desta afirmação. Isto significa: o papel do pregador não consiste em revelar Deus ou Lhe servir de mediador. O evento da pregação é o Deus loquitur; não é então questão, para nós, de revelar o que quer que seja, nem de uma revelação que passaria por nós, através de nós. Devemos, e todas as circunstâncias, respeitar o fato de que o próprio Deus se revelou (epifania), e que Ele se revelará (parousia). Tudo o que se passa na pregação – que se situa entre a primeira e a segunda vinda – é a ação do próprio sujeito divino. A revelação é um círculo fechado em que Deus é o sujeito, o objeto e o termo médio. Resultam então como conseqüências práticas: a) A pregação não pode pretender a transmissão da verdade de Deus. Ela não pode ter por finalidade provar Deus por uma demo...

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