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Chineses e Brasileiro

Matéria: Chineses no Brasil Página 2

Autor - Fonte: Carolina Meyer - EXAME
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raves ao investimento chinês no país. A pesada burocracia das diversas instâncias governamentais aliada à barreira imposta pela língua (pouquíssimos executivos chineses são fluentes em uma língua estrangeira) faz com que o pe ríodo de negociação acabe se arrastando ao longo de meses ou anos. A chinesa Baosteel, quinta maior siderúrgica do mundo, faz sua segunda tentativa de investir no Brasil em menos de quatro anos. Em 2004, os planos de construir uma usina no Maranhão em parceria com a Vale naufragaram depois que a empresa não conseguiu obter as licenças ambientais exigidas pelo governo. Ao longo de três anos, os executivos da Baosteel tiveram de reunir dezenas de documentos e elaborar outros cinco estudos de viabilidade social e ambiental para o projeto. Depois de acumular milhões de dólares em prejuízos, os chineses acabaram desistindo do projeto. Foi só recentemente que os executivos da companhia decidiram voltar à carga -- dessa vez no Espírito Santo. A Baosteel vai investir 2 bilhões de dólares para construir no estado uma siderúrgica do porte da CSN. "Os empresários chineses não estão habituados a exigências ligadas ao meio ambiente ou à demora do governo em tomar decisões", afirma Flávio Hirata, da Allier Brasil, especializado em assessorar empresas chinesas no país. "Para eles, o Brasil devia ser mais parecido com a China."

Além dos entraves burocráticos à instalação das indústrias, a demora na liberação de vistos por par e das autoridades brasileiras tem gerado mal-estar entre os chineses. O processo de obtenção do visto leva cerca de um mês e meio (o visto chinês, em contrapartida, sai em menos de uma semana). Só no ano passado, o Brasil recebeu mais de 1 000 delegações desse país. Entre empresários, executivos e representantes do governo, cerca de 10 000 chineses passaram pelo país à procura de novos negócios. Não fosse tal burocracia, estima-se que esse número poderia ter sido três vezes maior. "Os chineses têm pressa. Diante de tamanha demora, muitos executivos simplesmente desistem de visitar o Brasil", afirma um advogado especializado em assessorar empresas estrangeiras no país. As companhias chinesas já instaladas vêm tentando "importar" trabalhadores -- tarefa cada vez mais complicada. Recentemente, a Huawei, uma das maiores fabricantes de equipamentos de telecomunicações do mundo, levou quase três meses para trazer ao Brasil dez de seus engenheiros chineses. Outra companhia chinesa, a Citic, responsável pela instalação dos equipamentos da Companhia Siderúrgica do Atlântico, em construção no Rio de Janeiro, obteve a liberação de somente 600 dos 4 000 vistos solicitados para trabalhadores chineses. Para o governo brasileiro, trata-se de uma forma de proteger o mercado interno contra a entrada de profissionais não qualificados. Dada a disposição, o poder financeiro e a perseverança típica dos chineses, no entanto, não serão essas dificuldades que os impedirão de competir -- agora para valer -- no mercado brasileiro.

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