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Jesus

Matéria: Esse homem chamado Jesus

Autor - Fonte: Superinteressante

O que se conhece de Jesus é praticamente apenas o que contam os evangelhos. Mas novas interpretações dos textos bíblicos permitem entender com muito mais riqueza sua figura histórica e o conteúdo de sua ação no tempo em que viveu. Tudo o que é humano está nele presente: alegria e ira, bondade e dureza.
por José Tadeu Arantes

Quem foi afinal Jesus? A resposta é difícil — principalmente porque os únicos relatos sobre sua vida são os evangelhos, escritos e reescritos décadas depois de sua morte. A Igreja aceita como válidos apenas quatro desses textos, os chamados evangelhos canônicos, atribuídos pela tradição a Mateus, Marcos, Lucas e João. Outros evangelhos, denominados apócrifos, apresentam narrativas que, às vezes, se chocam fortemente com a dos canônicos. Refletem concepções religiosas e políticas que se desenvolveram nos primeiros séculos do cristianismo e chegaram a ser acusadas de heresia. Estudos bíblicos contemporâneos vêm submetendo tanto os textos canônicos quanto os apócrifos a uma cuidadosa releitura crítica.
Para começar, Jesus nasceu antes de Cristo. Um erro cometido séculos depois no cálculo do calendário é responsável por esse paradoxo. O fato histórico usado como referência para a datação do nascimento é o primeiro recenseamento da população da Palestina, ordenado pelas autoridades romanas com o objetivo de regularizar a cobrança de impostos. Lucas diz em seu evangelho que Jesus nasceu na época do cens . Estudos mais recentes situam esse acontecimento entre os anos 8 e 6 a.C.
Maria e José, os pais de Jesus, teriam se deslocado de Nazaré, na Galiléia, onde viviam, para Belém, na Judéia — cidade de origem de José e onde ele deveria se alistar para o censo. Mas a definição de Belém como a cidade natal de Jesus também é motivo de polêmica entre os estudiosos. Belém era a cidade de Davi, que reinou em Israel por volta do ano 1000 a.C. Na época em que Jesus nasceu, os judeus esperavam por um líder, que os livrasse do jugo romano e restabelecesse a realeza.
Segundo profecias do Antigo Testamento, esse libertador — o messias, que significa o "ungido", como os antigos reis de Israel — seria descendente de Davi. Para os evangelhos, especialmente o de Mateus, Jesus é o messias esperado: por isso seu nascimento ocorre em Belém; por isso também ele é saudado pela aparição de uma estrela, símbolo de Davi.
Conforme o relato de Mateus, Jesus descende de Davi por meio de José. O autor procura conciliar essa origem com a virgindade de Maria, referida no mesmo texto. O que se quer mostrar, evidentemente, é que o nascimento de Jesus ocorre a partir de uma intervenção direta de Deus. É uma idéia que aparece com freqüência no pensamento antigo. Não só heróis mitológicos, mas também grandes personagens históricos têm seu nascimento associado a uma divindade. Os faraós do Egito eram considerados filhos de Amon-Ra, o deus Sol. E a mãe de Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.), estava convencida e convenceu o filho de que ele era descendente de Zeus, o deus supremo da mitologia grega.
Para a Igreja Católica, Maria permaneceu virgem mesmo depois do nascimento de Jesus. A expressão irmãos e irmãs, empregada por Mateus e Marcos, designaria parentes mais distantes de Jesus, como seus primos. Essa opinião é contestada pelos protestantes, que acreditam que os irmãos que aparecem nos evangelhos eram irmãos mesmo. Eles são citados pelos nomes: Tiago, José, Simão e Judas. Tiago, conhecido como Tiago, o Maior, fez parte do círculo dos discípulos mais íntimos; após a morte de Jesus e a saída do apóstolo Pedro de Jerusalém, assumiria a chefia da Igreja.
A ação de Jesus transcorreu principalmente entre os pobres e marginalizados de seu tempo. A fértil região da Galiléia, onde presumivelmente passou a maior parte de sua vida, abrigava uma população miserável, vista até com desconfiança pelos judeus conservadores, pela presença em seu interior de elementos pagãos originários da Síria. Como lembra o estudioso Paulo Lockmann, bispo da Igreja Metodista no Rio de Janeiro, quando Jesus disse "bem-aventurados os pobres em espírito", era dessa população rústica que ele falava.
A própria família de Jesus, porém, puramente judaica, como se pode verificar pelos nomes de seus membros, não era assim tão pobre. Como carpinteiro, José era um artesão pequeno proprietário. Num meio em que os ofícios passavam de pai para filho e eram patrimônio de família, é quase certo que Jesus tenha herdado e exercido a carpintaria.
A lacuna de quase trinta anos na narrativa dos evangelhos — do nascimento de Jesus ao início de sua pregação — deu margem a todo tipo de fantasia. Autores imaginosos fizeram-no viajar a lugares tão longínquos quanto a Índia e o Tibete, em busca dos fundamentos de sua doutrina. Para o estudioso católico Euclides Balancin, do corpo de tradutores para o português da B...

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