Whats: (11) 9 9191 6085

VÍDEO: POR QUE NOS PARECE QUE NADA DA CERTO

Você está em: Página inicial / Matérias: / Filosofia / O dia em que o homem moderno nasceu
Homem moderno

Matéria: O dia em que o homem moderno nasceu

Autor - Fonte: Norton Godoy

Novos achados apontam a África como berço do ser humano moderno, numa data muito mais recente do que se pensava. Em algum momento do passado, entre 92 mil e 45 mil anos atrás, numa caverna nos arredores de onde hoje existe a cidade de Nazaré, em Israel, um grupo de homens, mulheres e crianças olhou para o horizonte e viu se aproximar outro grupo de indivíduos que, de longe, tinham uma aparência familiar. Quando os forasteiros chegaram mais perto, porém, os moradores da caverna perceberam que aqueles não eram seus semelhantes.

Enquanto os habitantes do local tinham pele escura, estatura mediana e andar equilibrado, os recém-chegados eram claros, atarracados e cambaleavam. Apenas uma característica era comum a todos: a curiosidade recíproca. Os da caverna — que viria a ter o nome de Qafzeh — faziam parte de uma espécie que agora a ciência identifica como Homo sapiens sapiens, os humanos anatomicamente modernos. Mais ainda: eram, ao que tudo indica, os primeiros representantes dessa espécie. Os visitantes, por sua vez, vindos das terras geladas da Europa, também eram humanos, mas de outra variedade, possivelmente mais arcaica, a dos Homo sapiens neanderthalensis — os homens de Neandertal.

A origem do primeiro sapiens sapiens esteve por muito tempo ligada ao homem de Neandertal. O ser humano moderno era classificado como pertencente ao gênero Homo, um primata da família dos hominídeos, espécie sapiens (sábio). E o Neandertal era tido como um ante assado direto não sapiens, o Homo neanderthalensis. Mas, nos últimos cinco anos, descobertas arqueológicas e pesquisas de laboratório têm mostrado que essa concepção está errada. Os humanos de anatomia moderna — subespécie sapiens sapiens — não descendem daquele homem das cavernas européias, cujos fósseis foram achados pela primeira vez em 1856, no vale de Neander (daí o nome), Alemanha.

Os antropólogos agora acreditam também que a convivência competitiva com os sapiens sapiens foi o motivo da extinção dos neandertalenses. Essa nova concepção da origem do homem atual tem causado um acalorado debate entre os especialistas no assunto. As razões para a excitação são muitas, com um ingrediente perturbador adicional: a entrada em cena dos geneticistas num campo antes exclusivo dos especialistas em ossos e pedras. A história que as novas pesquisas estão contando é que os humanos modernos surgiram há cerca de 200 mil anos na região central da África, a partir de onde teriam migrado para a Europa e Ásia, através do Oriente Médio, provavelmente competindo pelos recursos alimentares disponíveis com humanos mais primitivos e tomando o seu lugar.

A teoria até então mais aceita sobre a origem do ser humano moderno começou a desmoronar em março do ano passado. Christopher Stringer, do departamento de Paleontologia do Museu Britânico de História Natural, e seu colega Peter Andrew publicaram um trabalho na revista americana Science, expondo uma hipótese revolucionária. Para tanto, os dois pesquisadores ingleses não apenas estudaram a fundo achados recentes de fósseis como se valeram do apoio de outras áreas de pesquisa, como a biogeografia e a ecologia. Sem serem dogmáticos, Stringer e Andrew dizem que as maiores evidências "favorecem uma origem recente para o Homo sapiens sapiens na África", cristalizando o que já era uma convicção popular induzida pela origem também africana dos primatas. Até há bem pouco tempo os cientistas estiveram inclinados a acreditar que o humano moderno surgiu na Europa e que os fósseis do homem de Cro-Magnon, encontrados na França, em 1868, seriam uma prova disso. Outra prova estaria nas espetaculares cavernas com pinturas, no sul da França e no norte da Espanha.

Convencidos, a partir de novas evidências, de que enxergavam a verdadeira pré-história da raça humana, Stringer e Andrew sustentam que tudo teria começado no sul da África. O Homo erectus — que na escala evolutiva dos primatas sucederia o Homo habilis e seria o último antes da linhagem sapiens arcaica, tendo vivido entre 1,6 milhão e 300 mil anos atrás (SUPERINTERESSANTE número 9, ano 2) — começou a deixar sua terra natal há cerca de 1 milhão de anos, motivado principalmente, supõem os cientistas, pela curiosidade de saber o que havia além do horizonte. Acompanhando o traçado do que se chama hoje o Vale da Grande Fenda Africana — que vai do norte de Moçambique até o norte da Etiópia, recheado de rios e lagos ao longo de seus 3 840 quilômetros —, chegou, passados muitos séculos, ao Oriente Próximo, de onde, finalmente, alcançou a Europa e a Ásia.

Registros fósseis mostram que populações de erectus existiram nesses dois continentes até 300 mil anos atrás. "Desse ponto em diante", diz Stringer, "começa-se a ver sinais de mudança nos achados, com a presença de fósseis, já não mais do Homo erectus nem tampouco de humanos modernos." Na verdade, eles apre...

Ir para a página:


WhatsApp: (11) 9 9191 6085
Política de Privacidade
Política de Cookie
Busca Google