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Almas gêmeas cada um que passa em nossa vida passa só

Matéria: Almas gêmeas cada um que passa em nossa vida passa só

Autor - Fonte: Maísa Intelisano
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Cada um que passa em nossa vida, passa só, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa só. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si. Há os que levam muito, mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova de que duas almas não se encontram por acaso. Antoine de Saint-Exupéry

A palavra gêmeo vem do latim geminus e significa duplo, dobrado, semelhante. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, gêmeo é cada um dos filhos que nasce do mesmo parto e, por derivação de sentido, tudo o que é igual ou muito semelhante, que tem grande afinidade. Por analogia, almas gêmeas seriam espíritos que teriam surgido do mesmo ato de criação e são idênticos ou muito semelhantes em suas características, tendo também grande afinidade.

Embora o conceito seja muito antigo e esteja presente em várias culturas, não se sabe exatamente de onde veio a expressão alma gêmea, mas o mito parece ter surgido com Platão, em sua obra O Banquete. No texto, o filósofo grego, que viveu de 427 a 347 a.C., em Atenas, conta, pela narrativa de Aristófanes, a história dos andróginos, seres primordiais de um terceiro gênero, que existiu antes do masculino e do feminino que conhecemos.

A palavra andrógino vem da união de dois vocábulos gregos: andros, que significa homem, e gyno, que significa mulher, mas não designa o corpo onde ha
itam dois seres de gêneros diferentes, e, sim, um único e mesmo ser em que coexistem os dois gêneros, um ser com o poder dos dois gêneros, masculino e feminino, em si mesmo. Os andróginos eram, portanto, seres quase perfeitos e muito poderosos, pois tinham, em si mesmos, todas as oposições. Completos e fecundos, podiam dar à luz de si próprios.

Eram redondos e as costas e os quadris formavam um círculo. Tinham quatro mãos, quatro pernas e uma cabeça com duas faces exatamente iguais. Eram capazes de andar eretos em todas as direções e podiam também rolar sobre os quatro braços e pernas, como se virassem estrelas, cobrindo grandes distâncias, velozes como raios.

Com tanta força e poder, tornaram-se ambiciosos e ousaram desafiar os deuses, escalando o Monte Olimpo, a morada dos imortais. O que fazer com eles, então?, discutiam os deuses reunidos no conselho celeste. Aniquilá-los? Mas e os sacrifícios, as homenagens, os templos e a adoração que vinham da Terra? Por outro lado, uma insolência dessas não poderia ser tolerada e precisava ser punida!

Depois de muito refletir, Zeus, o senhor supremo do Olimpo, descobre um meio de deixá-los mais fracos e ainda torná-los mais numerosos, sem destruí-los. Decide, assim, parti-los ao meio! E a cada um que partia, dava a Apolo, seu filho, deus da beleza, as duas partes para que as curasse, virando-lhes o rosto para o lado do corte, repuchando-lhes e amarrando-lhes a pele no que hoje chamamos de umbigo, para que, contemplando a própria mutilação, se lembrassem da lição.

E, desse modo, segundo a narrativa, desde que foram mutilados os andróginos, cada metade procura a sua outra metade para a ela se unir e, envolvendo-a e enlaçando-a, com ela se confundir e fundir, a ponto de nada mais poderem fazer uma sem a outra, na mais completa inércia.

Mas então as criaturas começaram a morrer, de fome e de desespero. Abraçavam-se e deixavam-se ficar. E diz Aristófanes que “sempre que morria uma das metades, a que ficava procurava outra e com ela se enlaçava, quer se encontrasse com a metade do todo que era mulher, quer com a de um homem...”

Com isso, a raça humana começou a se extinguir, pois os órgãos sexuais não haviam sido voltados para o mesmo lado do rosto, ficando para trás, fazendo com que as criaturas não copulassem entre si, mas no solo, como insetos, e, portanto, não se reproduzissem.

Zeus, então, penalizado, resolveu mexer novamente no seu lay-o ...

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